CATALISADORES DE FALHAS


                              Você, ROBÔ

Perigo! Perigo! Quem não se lembra do alerta feito pelo robô B-9 da série
televisiva "Perdidos no Espaço", que procurava proteger a família Robinson
das armadilhas siderais e das maldades do Dr. Zachary Smith?

Perigo! Perigo! É preciso ainda ouvir o robô; agora, a ameaça maior vem de nós
mesmos e da rotina com a qual nos acostumamos.Procurando dar uma ordenação
aparente ao cotidiano, acabamos por roteirizar a vida pessoal e laboral que,
sem lugar previsível para o inesperado, passamos a agir de maneira mais robotizada,
mecânica, repetitiva.

Trajetos, atividades, comportamentos, sentimentos, prazeres; tudo com sua sequência
enfadonha a nos conduzir para "a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim"...

Stefan Zweig, importante pensador austríaco, aqui exilado para escapar do horror nazista,
escreveu, em 1942, "Encontros com Homens, Livros e Países", e nessa obra inseriu um ensaio
chamado "A Monotonização do Mundo". Bela expressão: monotonização; o processo de gerar
monotonia e, com ela, desapercebimento, inconsciência e, claro, alienação.

Monotonia e distração! Repetição e acomodação! Alienação, uma presença no mundo assinalada
pelo não-pertencimento a si mesmo e com nenhum controle sobre aquilo que a muitos controla:
a primeira Lei de Newton, a da inércia.

Ora, assim são os robôs. O sentido é exatamente este: ausência de autonomia e consciência.
Eu, robô? Jamais! Ah, é?
E uma parte dos nossos movimentos que é feita usando o "piloto automático"? E as nossas
performances ritualizadas de forma obsessiva, até atingirmos a não-necessidade de refletir
para agir?

A rotina escapa da esfera da vida organizada e passa a ocupar o terreno da automatização
inconsciente.

Perdidos no espaço? Não só. Perdidos no tempo...

(Condensado de artigo de Mário Sérgio Cortella, publicado em Vocêsa de maio 2006 )



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